quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Pernas Tortas

Claro

Não há meio de invadir este gramado abdicando do uniforme que me veste mais confortável. Subo a escadaria que liga o vestiário ao gramado trajando o preto e branco e uma pena na mão. Sem pena. Chuteira? A mesma de toda a pátria: o desejo de que os bons ventos permaneçam por a'cá!

As pernas tortas, sinonimo de astúcia, perícia, coragem, malandragem, responsabilidade, cordialidade, adaptabilidade e acima de tudo carioquice, além de algumas boas páginas disponíveis no Aurélio/Orelha, serão a base de sustentação da palavra. Um corpo, como disse o mestre João Havelange, precisa de espinha dorsal para se manter de pé. E a minha, a espinha, vão muito além da cara. Estará na coragem. Quem quiser seguir, siga. A espinha dorsal, ao contrário dos caminhos que levam ao gramado, ao gramado de cada um, vai muito além do vestiário.

Mas o blá,blá,blá chega ao seu final. Está na hora de dizer a que veio.

Olha aí, ah o meu gari olha aí!!!

Veio? Ou Véio? Que porra foi aquela que o simbolismo maior do CCC, sobrevivente no jornalismo, falou na TV? Fico me perguntando para que tem servido a ABI que não fala, não ouve e não vê. A menos que seja provocada. E por quem seja provocada, claro. Eu, jornalista de carreira, não concordo com as explicações dadas por ele. O fato não é se o CCC com cheiro de naftalina pediu desculpas. O que incomoda é saber que o sujeito pensa assim. Daquele jeito. É incompatível ser jornalista e pensar daquele jeito. O desprezo das classes que estão na base da pirâmide é fator a ser combatido pelo jornalista/jornalismo militante. Mas a ABI, sindicatos, enfim, ninguém vai além do seu silêncio. Afinal, não houve ainda provocação de quem manda romper o silêncio para, invariavelmente, sair em defesa de seus interesses - permanentemente e propositalmente confundido com o de uma categoria (que categoria!) ou da liberdade de expressão. Não duvido daqui a pouco algum cínico vai dizer que desprezar o proletário no ar é parte da conquista pós ditadura: "é a liberdade de pensamento. Ou voce quer me censurar?" Hahahaha.

Há um pacto não declarado de paz - onde um dia havia um clima de guerra não declarada. O nome dele (do pacto) é inércia, comodismo e descaso.