quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A moda Plus Size não é moda. É comportamento. Atitude. Fico feliz em ter descoberto um movimento de mulheres que se aproximam muito daquelas que queimaram sutiãs em praça pública para protestar contra o machismo e dar voz ao feminismo. E fico mais feliz ainda por outra razão: jamais pude manifestar livremente minha insatisfação para com o caminho que as mulheres seguiam. Magreza extrema, necessidade de mostra os ossos do ombro, do peito, facial. Ou as musculaturas avantajadas que intimidavam jogadores de futebol. Jamais estive perto, fisicamente, de nenhuma delas. Pelo menos não da segunda. Mas confesso que elas jamais me atraíram. Por outro lado, aos 46 anos, lembro bem que cresci tendo como modelo de beleza feminina as chamadas "boazudas". Mulheres que tinham culotes, seios fartos, bunda grande, coxas grossas. Elas, acredito, inventaram o hábito de fazer o homem olhar para trás para apreciar o movimento, a ginga, a coisa mais cheia de graça que passava balançando e lançando a atmosfera sexual. As magras, e que me desculpem a sinceridade, não despertam a libido. Não me "chamam ao pau", como diria um velho amigo, Norberto Camilo, a quem não vejo há anos. Tampouco as musculosas. Elas intimidam. Não convidam. E homens normais como eu - fora do peso, barriguinha de chope, papudo e com eventuais dores na coluna - não querem saber de academia. Preferimos conversar na mesa do boteco, tomando chope, comendo camarão frito, beliscando a linguicinha. O pecado, para nós homens normais, é a privação. Bendito seja o movimento Plus Size. A volta das "boazudas". E que Deus as abençoe.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Demoliram o berço da umbanda

Ou quase demoliram. Faltam alguns tijolos. Que são retirados ao mesmo tempo em que as pretinhas borram esta tela. O sujeito que instituiu a umbanda no mundo, em 1908, fez curas milagrosas (ou dizem tê-las feito), ficou anos naquele barracão transformado depois em pal a pique para fazer espalhar pelo Brasil a única orientação religiosa verdadeiramente brasileira. Com a cara do Brasil. Senão, vejamos: muitas imagens, comida, eventualmente bebida, gritos, música, medos, promessas, amores, histórias, perigos, santos, pecadores, sorrisos e lágrimas. Verde e amarelo, portanto. Mas que rui agora, neste instante, no seu peito. No coração. No foco da criação. Se há culpados? Deve haver. Mas que o número 30 da Rua Floriano Peixoto, em Neves, São Gonçalo, há de sobreviver a tudo isso, todos nós sabemos. Não que para isso a prefeita do Tijolinho seja obrigada a reconstruir aquela casa sozinha, tijolo por tijolo, em busca da reeleição. Falo de outra vida, claro.